O amor próprio transborda e nutre o mundo

Todos os dias leio artigos nas redes sociais sobre o amor pelos outros e por nós mesmos. Existem inúmeros artigos, vídeos, livros que falam de amor. Mas afinal, como sentimos e demonstramos esse amor? Nós seremos sempre amáveis connosco e com os outros em redor?

O amor é o sentimento que nos aproxima da nossa humanidade e da nossa humildade. O amor nutre a nossa alma. Se não alimentarmos o corpo ele fica desvitalizado e sem amor a alma adoece.

O amor iguala-se a uma flor que precisa de ser plantada por uma sementinha, ela necessita de cuidados para crescer. O amor surge daquilo que sentimos por nós mesmos, o nosso amor próprio. Somos capazes de reconhecer e aceitar exatamente como somos. Significa que há respeito por nós mesmos, com os nossos talentos e os nossos defeitos.

O amor próprio tem a ver com as experiências que vivenciamos desde a infância, a forma como somos estimulados pela família, professores e amigos. Esta partilha de carinho é condicionada pelas experiências antepassadas que os nossos pais, professores e amigos tiveram. A inexistência deste afeto conduz-nos a sentir desproteção, timidez e autoestima baixa.

O amor corresponde ao sentimento que temos por aquela pessoa, cuja presença provoca em nós a adorável sensação de paz e aconchego. A primeira manifestação desse sentimento corresponde ao que acontece entre mãe e filho, talvez ainda durante a vida intrauterina, mas, certamente, a partir do nascimento. A criança desamparada e ameaçada por desconfortos de todo o tipo, sente-se bem e aconchegada pela presença física da mãe e a ama. Por sua vez, a mãe, sente um enorme prazer em estar com seu bebé no colo e sente um enorme amor por ele, justamente porque ela também se sente aconchegada por ele.

Este amor é o pilar para tudo, para sentirmos proteção perante os desafios da vida. Costumo dizer: “O amor é a raiz que não se vê. Só ela suporta a árvore que cresce. Por mais defeituosa que ela seja.” Daqui, conseguimos enfrentar todos os problemas, mantendo a nossa autenticidade.

O amor próprio dá-nos a capacidade de termos uma visão alargada de nós mesmos, somos capazes de ver as nossas qualidades internas, caraterísticas, defeitos e faltas.

Quando sentimos que somos menos que alguém é porque continuamos a comparar-nos com os outros, devemos evitar isso, somos quem somos, de acordo com as nossas experiências e com os nossos antepassados.

O sentimento que temos para connosco parte da origem da rejeição, da nossa rejeição interna, ou seja, da relação que temos connosco. A maior parte das pessoas diz que as pessoas não a amam, isto não é de todo correto. Nós temos várias formas de demonstrar o afeto. Uns é pelas atitudes, outros são pelas palavras, outros simplesmente pelo apoio e pela compreensão. Não importa se as pessoas fazem declarações maravilhosas de carinho, porque não sentirás esse amor, ele está em falta e por isso não o reconheces.

Quando não conseguimos sentir amor próprio, por mais que as pessoas que nos rodeiam demonstrem que nos amam, tem por base a nossa rejeição, a não aceitação de nós mesmos. Só conseguimos sentir o amor do outro de acordo com aquilo que compreendemos e experienciamos.

Por isso, terás de aprender a amar-te, com as tuas limitações, defeitos, experiências, virtudes e maravilhas internas. Só consegues amar, mediante o amor que sentes por ti, se isso estiver em falta, haverá um amor oco, é o mesmo que encher um balão furado com ar, ele nunca ficará cheio.

Como diz Luís Vaz de Camões: “O amor é fogo que arde sem se ver”. Gosto de utilizar esta frase para transmitir a ideia que o amor nasce de um ponto e que começa a propagar-se, como acontece com o fogo. Se vives o amor, começarás a compartilhá-lo com muitas pessoas, é inevitável, como acontece com o fogo que se alastra.

Ama o teu corpo e ama a tua mente. Ama todo o teu organismo.

A pessoa que se ama pode, facilmente, tornar-se meditativa, porque meditação significa estar consigo mesmo. Quando praticamos a auto cura no Reiki, ou meditação, desfrutamos da beleza de estar connosco. Aprendemos a gostar de nós, reconhecendo as nossas qualidades, talentos e aquilo que não gostamos, mas que pode ser melhorado.

Esta perceção surge quando temos capacidade de refletir sobre as nossas qualidades e defeitos e do entendimento de que somos únicos e especiais, não importa o quanto tenhamos errado ou desviado da verdade.

Aceitar quem somos, faz parte da nossa autoestima, do amor próprio, e isto revela ausência de comparação.

O amor próprio não traz egoísmo, pelo contrário, traz compreensão e aceitação de nós mesmos. Isto dissolve o nosso ego, quando nos inferiorizamos perante os outros, quando nos comparamos, agimos como seres separados. Mas não o somos, somos quem somos em virtude do que nos rodeia e da nossa ancestralidade, somos seres conectados com todos, com o Todo.

Estamos sempre a tempo de recuperar a nossa autoestima. Se reconhecermos que os erros e as vicissitudes são fundamentais no nosso processo evolutivo. Se formos capazes de nos amar apesar dos fracassos, certamente, estaremos a dar uma oportunidade de percorrer novos caminhos e descobrir potencialidades que desconhecíamos. Sabemos que estamos em transformação continua, e cada dia podemos ser ainda melhores.

Quando há amor e respeito por mim, há pelos outros também. Assim como eu sou, o outro também é, há perceção que somos todos conectados no mesmo Universo.

Aqui pode aceder aos artigos escritos pelo autores Joel Reis e Nuno Cardoso, fundadores da Brighid Terapias Integrativas.
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