A simplicidade contenta-se com pouco

Hoje em dia, existe uma crescente propensão ao consumo de bens e serviços supérfluos, a forma como as pessoas idolatram estes bens, para exibirem um status pelo que possuem, gera ansiedade. Parece que a todo o momento sentem a falta de algo e que a vida está em carência.

A ansiedade causada por este estado de insatisfação, pela projeção na nossa mente de sentimentos e imagens que não estão materializados, resolve-se com a suficiência. A suficiência é sinónimo da simplicidade. É sobre esta ideia que devemos viver e, uma vida simples não é ser simplório, mas saber viver com os recursos que são suficientes para nós, ter alimento suficiente para comer, ter saúde para viver, ter roupa suficiente para vestir e ter afeto suficiente para nos sentirmos vivos.

Aquilo que tenho é bom para mim, portanto, esvaziamo-nos da virtualização de coisas desnecessárias, da virtualidade exagerada do mundo e da nossa ansiedade.

Cada vez mais, somos detentores de meios para estabelecermos comunicação entre nós, por carta, por telefone, por whatsapp, video chamada, facebook, são muito úteis e práticos, são necessários, mas não fundamentais.

Esta virtualização, de passar os átomos em bites, não substitui o toque, o cheiro, a presença de alguém. O uso exagerado dos meios digitais origina uma insatisfação pela ilusão, consequentemente, a ansiedade. Quando fazemos “scroll” com o rato, para visualizar publicações lindas e perfeitas no Facebook de uma figura pública ou até mesmo quando folheamos livros de culinária, com receitas sofisticadas, ficamos angustiados pelo inatingível.

A simplicidade é um segredo desprezado, mas que nos permite viver uma vida verdadeiramente feliz e significativa. No entanto, não é fácil aplicar a simplicidade neste mundo exageradamente complicado e intelectual, mas é esse o caminho. Simplesmente viver o que se é, sem a necessidade daquilo que é exagerado e extravagante que só causa mais ansiedade e mais frustração, afastando-nos da espiritualidade para uma liberdade pura.

O segredo da sabedoria da iluminação é perceber que a essência da vida é a simplicidade e que devemos praticar esta filosofia todos os dias.

Quando possuímos muito, vamos perdendo a capacidade de tirar proveito das coisas simples do nosso dia-a-dia, porque só nos preocupamos com números e obter coisas e, a nossa maneira de viver deixa de ser simples, mas complexa. A simplicidade não está somente nos bens materiais, mas também naquilo que pensamos e sentimos.

Quando vivemos face às avaliações das coisas e das pessoas que nos rodeiam de forma errada, caímos em julgamentos que nos levam à solidão. Quantos de nós fazemos juízos de valores dos outros, sem tirar um tempinho para questionar? Ao evitar o diálogo, hoje, amanhã e depois, fechamos a interação, causando solidão, egoísmo, superficialidade. O fato de julgarmos os outros pela sua aparência é errado, o mesmo acontece quando achamos que somos melhores cheios de adornos, de bens materiais. Já que o mais importante é ser e não ter. O ser humano simples não se preocupa com as aparências. Um ser humano despreocupado, com a ausência de pensamentos exagerados e inúteis, é alguém simples.

Somos seres em busca da perfeição, este trabalho só é conseguido através de um exame de consciência, que nos estimula a limpar regularmente os pensamentos negativos, o supérfluo de nós, o estarmos constantemente a separar o trigo do joio, se não queremos perder a seara inteira, a nossa essência, a nossa simplicidade.

É importante valorizar o que somos e não o que possuímos. A maioria das pessoas tem vontade de possuir bens materiais, muitos dos quais são inúteis, servem simplesmente para se ter mais que os outros. O ser humano com estas características está tão ocupado a contar o tamanho da sua riqueza que não aproveita a vida, pela simplicidade, pela suficiência e pela gratidão do que tem. É urgente tomarmos consciência que precisamos dar valor às pequenas coisas, às coisas simples, que cultivam verdadeiramente o nosso ser interior.

Se deixarmos aquilo que é supérfluo, como o egoísmo, a avareza e a cobiça destacarem-se, perdemos os valores afetivos, familiares, morais e éticos, provocando a solidão, a insatisfação, a infelicidade, a ansiedade e o vazio interior. Muitas pessoas sentem-se assim, apesar de viverem em excelentes condições, mas afinal, a felicidade reside na simplicidade, em ser e não no ter.

Aqui pode aceder aos artigos escritos pelo autores Joel Reis e Nuno Cardoso, fundadores da Brighid Terapias Integrativas.
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